A CIDADE, BALZAC E A COSTUREIRINHA
A começar pelo título, ou pela tradução que do original fizeram, já é uma delícia ouvir esse “Balzac e a Costureirinha”…
Tem no filme um encanto, meio escondido, como os pedaçinhos de panos bordados e os dedais e as agulhas nos costureiros de palha das avós ou das madrinhas, ou aquele do costureiro oriental. Tem algo de música e de fato o há, Mozart entremeia e ora protagoniza a trilha em algumas cenas. Tem algo de adolescente na construção, o trio, as descobertas, muito mais do amor do que propriamente do sexo. Tem generosidade nas recordações dos meninos protagonistas, algum tempo depois, já adultos.Tem atualidade o cansativo e doutrinamento estúpido da época de Mao, não é diferente, hoje, no centro da direita, no centro da esquerda. Tem a gente dentro de nós mesmos, quando a luz acende na sala de projeção e a imagem da tela se vai. Ah! tem sobre tudo isso, a literatura. Libertária, desgrenhada, pequeno colibri que colhe, sorve e esparrama o nectar pelo inusitado jardim. Tem espontaneidade na atuação dos atores. Tem rítmo, o filme, cor e as belíssimas paisagens do Tibet.