A CIDADE E OS FILMES DO 3º FESTIVAL DE VERÃO
Gostaría de poder assistí-los, a todos. Simplesmente não dá. As férias acabaram e os horários nem sempre calham com o funesto mundo do trabalho. Então contentei-me com o encarte bonito comprado a R$2,00 na Casa de Cultura Mário Quintana http://www.ccmq.rs.gov.br e mergulhei literalmente nas sinopses dos filmes, escolhendo alguns para ter uma idéia abrangente da mostra:
O Romeno “A Leste de Bucareste”, tem um pé na comédia, outro no drama, e foi conduzido muito bem pelo Corneliu Porumboiu. O cara manteve a intensidade na pele enrugada do professor de história, bêbado e endividado, personagem honesto e foco da questão sobre a existência ou não da revolução de 1989 que executou o ditador Ceausescu. O ponto alto da narrativa é a entrevista na precária televisão onde o professor e um velho aposentado dão seus depoimentos e são questionados por telespectadores movidos pelas mais diversas causas. O nonsense aqui ganha o filme. A trilha lembra as composições de Goran Bregovic e o filme tem sim algo de “Underground”.
”A Vaca Nupcial”, segundo o encarte, uma comédia romântica, produção entre Alemanha e Suiça. Primeiro longa do Tomi Streiff, um simpático suiço, com os cabelos meio Esther Grossi, que falou um pouco, depois da projeção, sobre a tentativa de resistir com o tema ao mundo apressado em que estamos metidos. E o faz. Com maestria, apesar de o argumento ser bem adolescente, a menina roubada no trem que pede carona e viaja pela Alemanha com Tim. Acontece que Tim leva no caminhão uma vaca holandesa e o rumo destino é seu casamento que nunca vai acontecer. Uma sucessão de coisas engraçadas e insólitas no road-movie vai prendendo a atenção fazendo o tempo parar. Ganha pelo despojamento. A menina atrapalhada é Isabella Parkinson, brasileira com trabalho reconhecido fora da terrinha Global.
Na seqüência, escrevo sobre o excelente “Vermelho como o Céu”, “O Batedor de Carteiras”, de Bresson, que me impressionou pela economia e sensibilidade e mais alguns que ainda assistirei.